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A primeira despedida

Sorry guys, but sometimes it’s hard to me express my self in english like in portuguese and you will find some posts in Portuguese like this one. You can always translate it with the tool from google that you have on the right side bar of the website. It’s not the same but its enough to understand what i’m saying here.

E de repente tem-se o primeiro sinal de mudança de vida. Acabo de ficar a saber que um dos lugares mais felizes da minha vida vai deixar de ser meu. Ou pelo menos vai deixar de ser como eu o tenho para mim… tinha. Confesso que não sei ser pragmático o suficiente para colocar os sentimentos de lado e ser só racional. Se gosto quando sinto as coisas boas, então, por pouco que seja, as más também me fazem suspirar um pouco mais que o normal. Eu passo a explicar.

Praticamente fui criado a viver todas as minhas férias de verão em parques de campismo. Levaria umas boas horas a contar as histórias que me acompanham desde os poucos meses de idade até hoje. Segundo consta, com apenas 2 meses fui logo para o Parque de Campismo Inatel e por lá andei de verão em verão. Aprendi a andar de bicicleta. A dar os primeiros chutos na bola e consequentemente a descobrir a falta de jeito. O medo pelos gafanhotos e abelhas. As horas de estudo que acabavam sempre com desenhos em vez da matemática. A feroz caçava aos besouros com as raquetes de rede em plástico. Fui crescendo. Fiz amigos de todas as idades e feitios. Comemorava o vinte de Julho, que é meu aniversário, sempre com os “amigos de verão”. Vi o filme “O Urso” umas três ou quatro vezes num cine-teatro do parque às quartas-feiras e lembro-me que chorava sempre! Entre mil e uma coisas que entretanto o tempo já fez questão de docemente dizer ao meu peito que foram sem dúvida os melhores momentos da minha vida. Mas calma, não se fica por aqui. Apesar de tanta coisa boa havia uma que me deixava sempre triste na altura. Parte da minha família fazia campismo também há largos anos, mas num parque oposto chamado: Clube de Campismo do Concelho de Almada, CCCA. E isto afastava-me dos meus primos, com quem adorava passar horas na cowboyada. Escusado será dizer que quando eu ia ao parque “deles” ou eles ao “meu” era a loucura.

Anos mais tarde, já com os meus dez ou onze anos, aqui tinha que pedir ajuda aos meus pais para saber a data exacta pois já me falha a memória, saímos do Parque Inatel e fomos então para o CCCA. Como imaginam foi ouro sobre azul! Finalmente ia ter os meus primos por perto e os dias iam ser completamente cheios de brincadeiras. E assim foi. Os anos lectivos passavam com os amigos das escolas, mas quando chegava o verão aí sim, aqueles eram os verdadeiros compinchas caneco! Ele era parque infantil a jogar ao “bate-ferro”. Era no campo da bola e basquete em pleno pico de calor, depois de termos fugirmos à surrapa das nossas tendas para não ouvirmos o famoso raspanete que aquela hora fazia mal. As grande ondas da Praia da Saúde. Os fins-de-dia fantásticos carregados de sol e calor. Um areal de perder de vista. Os primeiros acordes na viola. As noites seguidas entre amigos a tocar: Xutos, Rui Veloso, Mamonas, Resistência, Delfins, GNR, Metallica, Guns, Nirvana, Blues, Netinho, Pearl Jam, R.E.M., Silence 4, Doors, Pink Floyd, Cranberries, Iran Costa, etc… As tardes inteiras de futebol na praia. Amigos. Amigas. Amores de verão… que na verdade não foram assim muitos. E se já era do caraças fazer isto tudo sozinho, então com os meus primos por perto, não havia barreiras! Levaria uma eternidade a contar as tatuagens que esses tempos me deixaram e sem qualquer dúvida digo que me tornarem no “puto” que sou hoje.

Até que o Word Sketching Tour chegou e decisões racionais tiveram que ser ponderadas e assumidas. E a razão pela qual o alvéolo foi vendido é porque não vai fazer sentido ter aquele espaço abandonado durante tantos anos e com custos, num momento em que têm que ser canalizados para o projecto. Não é fácil pensar que chegou o momento de abrir mão daquele espaço numa altura de pleno verão em Outubro e tão boas ondas para surfar. É preciso alguma ginástica sentimental para neste agora conseguir perceber onde é que vou estar daqui a 4 meses e que ter o meu cantinho no CCCA não é muito importante para o projecto de vida que aí vem. O cérebro tenta contrariar o que de bom se viveu durante anos.

Este texto serve sobretudo para guardar um dos momentos mais marcantes do WST para um dia mais tarde poder reler.

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